terça-feira, 14 de junho de 2011

RDP Internacional: "suspensão temporária" (mas não total) da Onda Curta:



Que a RTP teve o descaramento de suspender temporariamente a Onda Curta da RDPi, é um facto infelizmente constatável com um receptor de rádio... Todavia, a rádio pública portuguesa omite (talvez uma forma deliberada de forçar os ouvintes a esquecer a OC) uma informação importante: a RDPi continua a emitir em Onda Curta para a Europa, através do centro emissor de Sines da ProFunk GmbH.

Assim, a RDPi continua a ser sintonizada de 2.ª a 6.ª feira, entre as 0645 e as 0800 UTC, nos 11 850 kHz (banda dos 25m). Aos sábados e domingos, a RDPi só poderá ser escutada com um receptor digital com DRM (Digital Radio Mondiale) entre as 0830-1000 UTC nos 11 995 kHz (25m). Estas emissões deverão continuar operacionais até ao final de Outubro, altura em que a própria manutenção do centro emissor de Sines é posta em causa.

Centro emissor de Onda Curta em Sines com os dias contados?

Mau demais para ser verdade: o ano de 2011 ainda vai a meio e já se arrisca a ficar registado na História da rádio em Portugal como o ano da morte da radiodifusão em Onda Curta no nosso país. Depois da "suspensão temporária" da RDPi em Onda Curta, é a vez da Deutsche Welle contar os dias de vida do centro emissor de Sines da ProFunk GmbH.

A DW prepara-se para realizar cortes nas emissões em Onda Curta, reduzindo drasticamente as horas de emissão e as línguas em que a emissora germânica opera. Entre as medidas anunciadas pela estação alemã, destaca-se a desactivação de vários centros emissores, nomeadamente os de Trincomalee (Sri Lanka) e Sines (Portugal) . A partir do dia 1 de Novembro de 2011, o centro emissor de Onda Curta em Sines deverá ser desactivado, deixando de emitir a DW e/ou outras estações que alugam tempo de emissão à rádio internacional da Alemanha. Infelizmente, entre outros efeitos colaterais da decisão, afigura-se provável o cenário de ver os técnicos portugueses ao serviço da DW engrossar a pesada lista de desempregados do nosso país...

sábado, 28 de maio de 2011

RDPi "suspende temporariamente" a Onda Curta a partir do dia 1 de Junho:

Vergonhosa, narcisista, tartufa e sovina: quatro adjectivos para descrever a decisão da RTP de desligar de vez,  perdão, "suspender temporariamente" as emissões em Onda Curta da RDP Internacional, a partir do dia 1 de Junho.

Como se não bastassem os argumentos falaciosos da RTP, eis que a Associação Portuguesa de Radiodifusão tomou a liberdade de, na pessoa do seu presidente, José Faustino, pronunciar-se a respeito desta questão. Segundo o mesmo, «acho que ninguém [fica afetado]. Já ninguém ouvia aquilo e estava-se a gastar dinheiro. Não faço ideia de quanto custa, mas operar em onda curta é bastante caro. E não faz sentido, porque hoje há satélite e há internet». Ora, com todo o respeito pelo Sr. Faustino, tais declarações, baseadas apenas nos comunicados da RTP, não contribuem para uma avaliação séria da situação. A não ser que a APR tenha efectuado um estudo acerca das audiências da RDPi nos vários meios de distribuição, uma entidade reputada no sector da radiodifusão não deveria tirar ilações sem considerar a outra face do problema: os ouvintes.

Será que a APR, instituição que defende o interesse do meio radiofónico não devia olhar para as questões do sector tendo em consideração o elemento-chave do processo de comunicação via rádio, que não é mais nem menos do que o ouvinte? Afinal de contas, de que serviriam as rádios se não houvesse ouvintes? Será que algum iluminado da APR tem uma noção mais ou menos exacta da quantidade de ouvintes da RDPi  que a ouve na Onda Curta, do número de ouvintes via satélite e do número de ouvintes via cabo? Exceptuando a Internet, onde a RTP pode determinar o número de ouvintes ligados ao servidor da rádio pública, os restantes meios não podem fornecer dados sobre os ouvintes, devido à unidireccionalidade da transmissão. A única forma de saber quem e como ouve será através de inquéritos dirigidos às comunidades de emigrantes portugueses, luso-descendentes e restantes lusófonos espalhados pelo mundo. E saberá o Sr. Faustino explicar a todos os ouvintes que o solicitem, como poderão aceder a meios alternativos de recepção da RDPi? Será, então, a APR capaz de indicar aos ouvintes como poderão adquirir e montar antenas parabólicas para ouvir a RDPi? Saberá a APR que operadores de cabo espalhados pelo mundo dispõem da RDPi na sua grelha? Mais uma vez, com toda a consideração pela pessoa do Sr. Faustino, seria desejável que o presidente da APR tivesse uma atitude muito mais prudente e responsável, avaliando criteriosamente a situação antes de comentar a situação em causa.

Vai-me desculpar, Sr. Faustino, mas com toda a estima que tenho por si, devia olhar para os nossos compatriotas emigrantes nos quatro cantos do mundo. Afinal, demagogia barata não credibiliza uma pessoa e uma instituição, quando se sabe que há ouvintes que ouvem a RDPi em Onda Curta e, prova disso, serão, certamente, as inúmeras reclamações que têm chegado ao Provedor do Ouvinte da RTP.


Infelizmente, os desenvolvimentos dos últimos dias sugerem que alguns iluminados expõem a sua posição sem se dignarem ouvir de viva voz os principais interessados no serviço da RDPi (os ouvintes), sem se darem conta da sua atitude cínica e  hipócrita (para não dizer ignóbil), que em nada defende o direito de acesso à rádio internacional portuguesa por parte dos nossos concidadãos no estrangeiro, a par dos restantes lusófonos que ouvem a RDP Internacional.

Por outro lado, há que louvar a defesa do serviço em Onda Curta da RDPi proveniente de muitos ouvintes da RDPi, é certo, mas também por muitos cidadãos, começando no cidadão comum preocupado com os seus compatriotas residentes fora do seu país natal, mas passando por radioamadores e Dxistas, a par de cidadãos do Brasil e de outros países lusófonos, sem descurar as declarações de um comandante  da Marinha Mercante, que não ficam satisfeitos com a argumentação da RTP, expondo um conjunto de situações que podem dificultar ou até aniquilar a recepção da RDPi, mormente em movimento. Trabalhar numa embarcação ou num camião é uma prática que, por força das limitações técnicas inerentes à recepção em movimento, incluindo as restrições de espaço, priva os nossos compatriotas da audição da RDPi enquanto desempenham a sua actividade profissional. Imagine-se o que seria ter uma antena parabólica de 3 metros de diâmetro num camião a circular em plena estrada africana! Imagine-se como um comandante naval poderá sintonizar a RDPi numa embarcação onde não há antena parabólica ou esta tem características inadequadas à recepção da RDPi via satélite.  Imagine-se como pode um ouvinte continuar a acompanhar as novidades de Portugal numa qualquer região onde não tem acesso à Internet e não pode recorrer à antena parabólica!

Tal como seria de prever, num país que ao longo de séculos se destacou nas actividades marítimas, começando nos grandes navegadores e passando pelo comum dos pescadores, ainda existem muitos portugueses ligados à pesca nas costas do Canadá e na Terra Nova, por exemplo que se socorrem da RDP Internacional para se manterem a par da actualidade portuguesa. De igual modo, há muitos camionistas portugueses que viajam pela Europa ou pela África a ouvir a emissora internacional portuguesa. A partir da próxima quarta-feira, deixam de poder ouvir a RDPi na estrada e terão dificuldades acrescidas para ouvir no mar.


Mas afinal, não há ouvintes da RDPi em Onda Curta? Naturalmente que sim... os mesmos que não serão decerto acéfalos e já depreenderam as razões pelas quais a RTP está tão interessada em terminar com tecnologias analógicas obsoletas (ironia): tudo se resume ao politicamente correcto, numa óptica de contenção desenfreada de despesas, sem ganhar a coragem de admitir publicamente que tudo não passa de um plano para equilibrar contas sacrificando os ouvintes em detrimento de cortes em áreas sobejas onde os interesses instalados deviam dar lugar ao verdadeiro serviço público prestado aos ouvintes e telespectadores!

Já agora, senhores administradores da RTP, tenho algumas propostas melhores para cortar na despesa: fechem ou privatizem a RTP N. Aproveitem para fundir a RTP África com a RTPi e a RDP África com a RDPi. Por último, acabem de vez com todos os utensílios de cozinha (leia-se tachos) supérfluos no serviço público de rádio e televisão. Os ouvintes e telespectadores, que querem um serviço público eficiente e de qualidade, agradecem! Mas ao menos tenham mais deferência por quem escuta a rádio internacional portuguesa, que desde o seu início (em 1936) sempre enobreceu a Língua e a cultura portuguesas, glorificando um dos mais excelsos símbolos da História de Portugal no mundo, que o nobre povo lusitano divulgou por África, pelo Brasil, por Timor-Leste e um pouco por todo o mundo, que não é senão a própria Língua de Camões!


**Este texto não foi escrito ao abrigo do "Acordo" Ortográfico**

segunda-feira, 9 de maio de 2011

ANACOM autoriza "suspensão temporária" da Onda curta da RDPi:



Numa decisão perfeitamente aceitada e compreendida pelos ouvintes, a RTP, com o aval da ANACOM, acha por bem terminar com as emissões da RDPi na ruidosa, monofónica e distorcida tecnologia analógica de transmissão em Onda Curta. Afinal, com tecnologias digitais tão modernas e eficientes como as transmissões via satélite e a Internet, quem é que precisa da velha Onda Curta?


De facto, quem é que não poderá instalar uma antena parabólica de 3,5 ou 4 metros para ouvir a RDPi no coração de África ou da Ásia? Até mesmo numa simples varanda é rápido e fácil montar uma antena com 4 metros de diâmetro, que cabe perfeitamente num cantinho, sem causar grandes constrangimentos técnicos ou estéticos. Mesmo na Europa e América, até uma antena com um metro de diâmetro se instala tão facilmente em qualquer prédio do centro de Berlim ou num arranha-céus de Nova Iorque. Que justificação arranjará, então, o ouvinte para não ouvir a RDP Internacional? E, se por mero acaso, o ouvinte não puder instalar uma parabólica, sempre pode recorrer a outros meios para ouvir a RDP Internacional. Afinal,quem será o lusófono radicado em qualquer parte do Mundo que não consegue aceder à Internet? Até no mais remoto cantinho do solo africano é tão fácil ter um computador e uma ligação à Internet em banda larga que permita acompanhar a realidade portuguesa.

Num mundo global, estar em Londres, Nova Iorque, Tóquio, Maputo, Daca ou no Sri Lanka, é basicamente a mesma coisa. Internet rápida e barata está disponível em qualquer cidade ou aldeia de qualquer país do mundo, logo a RDPi pode ser escutada em qualquer recanto do globo terrestre.

E nas principais cidades europeias e americanas? Com o desenvolvimento de redes de cabo que, além dos serviços de TV e Internet costumam ter serviço de rádio, quem é que, servido por tal meio tecnológico em pleno centro de Basileia, Paris ou Toronto não tem acesso à RDPi?

E os camionistas portugueses ouvintes da RDPi que por força da profissão, têm de ouvir a RDPi nos seus camiões? Sempre podem viajar Europa fora com uma antena parabólica montada no veículo. Ou então sempre podem recorrer à Internet móvel, disponível em todas as estradas do continente europeu a preços irrisórios, mormente se recorrerem ao "roaming".  O estimado ouvinte da RDPi não precisa da Onda Curta, quando há tecnologias que substituem completamente este modo de transmissão. Estarei certo?

Ah, caro ouvinte da RDPi: quase que me esquecia de referir que,  no caso excepcional de não poder ouvir a RDPi via satélite, cabo ou Internet, a RTP dá-lhe uma quarta sugestão: emigre para Timor-Leste, que em Díli poderá ouvir confortavelmente a RDPi em FM nos 105,3 MHz!


Para os estimados leitores deste artigo que não detectaram qualquer ponta de ironia neste meu escrito, este texto reflecte a realidade da implantação das novas tecnologias de comunicação e informação no mundo, evidenciando a improficuidade das emissões em Onda Curta da RDPi face às novas tendências de comunicação desta aldeia global em que vivemos... Aos restantes, apelo que mostrem a vossa "gratidão" à RTP pelo "excelente" serviço público oferecido com a supressão, perdão, suspensão das transmissões em OC...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Carta aberta dirigida à Administração da RTP e direcção da RDPi, defendendo a manutenção das transmissões em Onda Curta da RDP Internacional

Ex.mo Senhor Presidente do Conselho de Administração da Rádio e Televisão de Portugal, S.A.
Ex.mo Senhor Director da RDP Internacional
Com conhecimento do Ex.mo Senhor Provedor do Ouvinte


Eu, Luís Carvalho, cidadão português, venho por este meio apresentar o meu veemente protesto conta a decisão da Rádio e Televisão de Portugal que visa a "suspensão temporária" das emissões em Onda Curta da RDP Internacional, por considerar que o serviço público de radiodifusão internacional prestado pela RDPi poderá estar em causa para alguns ouvintes em várias partes do Mundo.

Não obstante a existência da RDP África, estação que não deixa de prestar um bom serviço público aos lusófonos residentes em África, esta estação apenas pode ser escutada por via hertziana (frequência modulada - FM) em algumas regiões de Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, não servindo de alternativa ao serviço de Onda Curta em países como Angola e África do Sul, onde existe uma comunidade significativa de lusófonos, em particular, de cidadãos portugueses.


Por outro lado, a recepção da RDPi via satélite poderá não ser viável para todos os ouvintes. Um caso paradigmático será o do continente africano, onde a transmissão da RDPi via satélite é assegurada pelo satélite INTELSAT 907 (27,5º Oeste), em banda C. Como se sabe, (aliás a própria RTP o admite), as características de emissão, nomeadamente a faixa de frequências empregue, exigem a instalação de uma antena parabólica na ordem dos 3/ 3,5 metros de diâmetro em solo africano, solução tecnológica que poderá não ser acessível a todos os ouvintes, por razões de espaço físico ou de outros constrangimentos técnicos ou legais. Esta situação aplicar-se-á também na Ásia e Oceânia, já que a transmissão via satélite ASIASAT 5 (100,5º Este) é feita também em banda C, podendo não ser acessível a todos os ouvintes que desejam acompanhar as emissões da RDP Internacional.

Se a recepção satélite não está assegurada a todos os ouvintes da RDPi, o recurso à Internet também não está isento de problemas e limitações em várias regiões do mundo: embora os serviços de acesso à Internet oferecidos na generalidade dos países europeus, na América do Norte e noutros países desenvolvidos apresentam uma boa qualidade e velocidade de acesso a preços acessíveis para a maioria da população, sendo possível aceder à rede mundial de computadores em praticamente qualquer local, o mesmo não sucede em muitos países da África, Ásia e até de outras regiões do mundo.

De facto, em muitos países em vias de desenvolvimento, os meios tecnológicos que asseguram o acesso à Internet são caros e apresentam uma qualidade muito inferior aos serviços oferecidos em outras regiões do Mundo, desincentivando o recurso à rede mundial de computadores para ouvir a RDPi.

Por outras palavras, se para um ouvinte residente em Paris, Nova Iorque ou Tóquio, por exemplo, bastará ter um computador portátil para ouvir a RDPi em qualquer lugar, o mesmo certamente não acontece noutros países onde as infra-estruturas de telecomunicações não se encontram tão desenvolvidas, colocando dificuldades a quem necessita de aceder às novas tecnologias da informação e comunicação.

Por outro lado, o acesso ao sítio da RTP pode ser barrado em vários países do mundo que exercem uma censura activa na Internet, como a China, o Irão, Cuba, entre outros, impedindo a audição da RDPi.

Voltando à Europa e América, é certo que alguns serviços de televisão por cabo existentes em vários países oferecem a RDPi. Todavia, além de nem sempre estarem disponíveis para toda a população, implicam a adesão a serviços que eventualmente poderão não interessar aos lusófonos residentes, obrigando-os a pagar por pacotes que incluem canais de televisão e rádio que não lhes interessam só para poderem ver a RTPi e ouvir a RDPi. Ou seja, se o ouvinte não puder recorrer ao satélite e não quiser recorrer à Internet para ouvir a RDPi, resta-lhe pagar o serviço de televisão por cabo para continuar a ouvir a emissora internacional portuguesa. Acresce o facto de muitos dos operadores de cabo em causa não estarem obrigados contratualmente a retransmitir a RDPi,pelo que em qualquer momento podem retirar a rádio portuguesa da sua oferta.

De salientar que, excluindo a recepção da RDPi /RDP África via satélite em sinal aberto, a audição da RDP África em FM, ou a sintonia da RDPi através da frequência FM de Díli (Timor-Leste), as soluções alternativas (à Onda Curta) de escuta da RDPi obrigam os ouvintes a contratarem serviços (Internet, tv por cabo, etc.) com custos mensais, transferindo os custos de emissão para esses mesmos ouvintes,ao invés da RTP acatar todas as despesas relacionadas com a transmissão da RDPi.

Estas limitações técnicas e financeiras implicam que quem não tenha recepção da RDPi e/ou da RDP África via satélite ou FM, e que não tenha acesso (ou tenha acesso em condições técnicas precárias) à Internet, e que não possa aderir a um serviço de cabo que ofereça a RDPi, fique na contingência de ficar privado de acompanhar a realidade portuguesa através da RDP Internacional!

Um caso paradigmático de ouvintes que, por inerência da sua actividade profissional, têm constrangimentos técnicos no acesso à RDPi via satélite e Internet são os nossos compatriotas camionistas que viajam pela Europa, em veículos onde não há antenas parabólicas e onde, para terem acesso à Internet, ou aderem a serviços no país por onde circulam, ou são obrigados a recorrer à banda larga móvel em "roaming", opção que ficará extraordinariamente cara para estes profissionais do volante. Com as transmissões em Onda Curta, o ouvinte precisa apenas de um receptor de rádio e, eventualmente, uma antena exterior para melhorar a recepção!


Compreendendo que a situação financeira da empresa "Rádio e Televisão de Portugal, S.A." obriga a uma redução da despesa, apelo a que a mesma se faça sem comprometer a própria essência do serviço público, evitando afectar o direito de acesso aos vários canais do grupo por parte de ouvintes e telespectadores, em particular os que vivem fora de Portugal. Reconhecendo a RDPi como um elo de ligação entre Portugal e os portugueses e lusófonos de outros países espalhados pelo mundo, rogo a V.as Ex.as que se dignem proceder a uma ponderação muito cuidada antes de avançar com qualquer decisão final, sob pena de colocarem em causa o próprio acesso ao serviço público de rádio internacional que, há longas décadas, traz informação, desporto, música, cultura, entretenimento, cerimónias religiosas, a par do ensino da própria Língua Portuguesa, entre outros conteúdos que são dirigidos aos portugueses residentes fora da sua Pátria natal, bem como aos milhões de lusófonos dispersos por todos os continentes.


Sem mais de momento, subscrevo-me:

Com os melhores cumprimentos,
Luís Carvalho

sábado, 16 de abril de 2011

"Suspender temporariamente" a RDPi em Onda Curta?!

Não será apenas uma notícia triste para os entusiastas da rádio e DXistas, mas, sobretudo, também para a comunidade lusófona espalhada pelo Mundo e que pode colocar em causa o direito ao acesso à emissora internacional de referência na Língua Portuguesa:

Numa atitude no mínimo lamentável, a RTP entendeu requerer ao Governo a "suspensão temporária" das emissões em Onda Curta da RDPi. A rádio pública justifica esta deplorável decisão com os custos da manutenção do serviço em Onda Curta e as baixas audiências neste modo de transmissão. A RTP alega, entre outros argumentos, que «as estações de Onda Curta estão velhas e a precisar de substituição». Equipamentos velhos... com apenas 5 anos de utilização?! Com emissores Thales de 300 kW e antenas de cortina adquiridas em 2005? Resta saber se o conceito de "suspensão temporária" não passa a significar"suspensão definitiva", pesando os custos do serviço.

Apesar da RDPi não ser a única estação pública portuguesa acessível  por via hertziana em África, já que a RDP África é servida em frequência modulada (FM) em Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, a cobertura destes países africanos não é universal, centrando-se nos principais centros populacionais. Além disso, o serviço público prestado pela RDP África concentra-se numa perspectiva maioritariamente regional (africana), não havendo grande divulgação da cultura portuguesa em antena. Exceptua-se a retransmissão da Antena 1 no período nocturno. Com todo o respeito pelas populações dos PALOP, seria interessante que a RDP África integrasse na sua programação mais conteúdos de divulgação da cultura e língua portuguesas, que transcendessem o âmbito africano, abrangendo não só Portugal, como o Brasil, Macau, Timor-Leste e todos os recantos do mundo onde se fala português.

Aliás, (com todo o respeito pela cultura africana), defendo que seria uma boa ideia a RTP fundir a RDP África com a RDPi, mantendo programação regional nas emissões para África, mas transmitindo os restantes programas em simultâneo com a RDPi. Com uma empresa pública de rádio e televisão endividada e em falência técnica, esta opção, a par da fusão da RTPi com a RTP África contribuiriam para a redução das despesa da rádio e televisão públicas, sem prejuízo significativo da prestação do serviço público.


Mesmo considerando o serviço público prestado pela RDP África, um dos casos mais flagrantes de dificuldades acrescidas no acesso à rádio internacional portuguesa será o de países como Angola e África do Sul, onde existe uma considerável comunidade lusófona (e, em particular, portuguesa) mas onde não haverá alternativas à Onda Curta a não ser o recurso ao satélite e Internet, o que pode implicar dificuldades técnicas a muitos ouvintes: a acreditar numa resposta a uma questão colocada no sítio da revista "TeleSatélite", a RTPi, bem como a RDPi poderão ser acedidas em Angola recorrendo a uma antena parabólica de, pelo menos, 3,5 metros de diâmetro(!).

Aliás, a própria RTP admite que essa situação ao colocar  na página Internet da RDPi que «(...) Se está na Europa ou na América do Norte, Hawai ou América do Sul poderá captar a RDPi com uma antena parabólica de pequenas dimensões, um receptor digital e um televisor. Se, pelo contrário, se encontra em África, ou na Ásia e Oceânia terá que recorrer a uma antena parabólica de grandes dimensões (cerca de 3 metros) dado que estas transmissões são especialmente destinadas a retransmissões profissionais. (...)». Ora, não obstante existirem situações em que tal poderá não ser entrave ao acesso aos meios de comunicação internacionais da RTP, existem invariavelmente casos em que a instalação de uma antena parabólica com mais de 3 metros se torna impraticável, mormente por razões legais ou de espaço físico (ex: prédios). Tal situação pode comprometer a audição da RDPi por parte de alguns ouvintes. Não havendo RDP África em FM, muito menos RDPi por via hertziana convencional, os ouvintes ficam sem alternativas ao satélite.

Por outro lado, o acesso à Internet também não será fácil para alguns ouvintes radicados em várias regiões do Mundo, mormente em África: se na generalidade da Europa e América do Norte o acesso à rede mundial está praticamente assegurado em qualquer sítio, com velocidades de acesso confortáveis e uma qualidade de serviço boa,  o mesmo certamente não ocorrerá em pleno coração de África, onde o acesso é caro e lento, havendo zonas onde a melhor hipótese será recorrer á Internet via satélite, já que não existem ligações telefónicas em banda larga que assegurem um serviço Internet com boas condições técnicas e a preços mais acessíveis.

Ouvir RDPi no centro de Paris, Nova Iorque ou Tóquio através de um computador portátil com uma ligação à Internet não é mesma coisa que ouvir a emissora internacional portuguesa numa cidade africana  onde não existem ainda condições tecnológicas que assegurem o acesso generalizado à rede mundial de computadores, comprometendo a ligação dos portugueses e lusófonos em geral à informação, à cultura, ao entretenimento, ao desporto e à defesa das tradições portuguesas que são difundidas para todo o mundo através da RDP Internacional. O mesmo certamente se aplica noutros continentes, em países onde o acesso às novas tecnologias é escasso e caro. Em certos casos, aliás, tal acesso chega a ser praticamente impossível devido a questões legais. Exemplos flagrantes: Cuba, Irão, China, entre outros países que podem restringir o acesso à RDPi por razões políticas, tal como fazem com outros sítios Internet e meios de comunicação internacionais.


Com limitações técnicas inerentes à recepção satélite e com dificuldades no acesso à Internet, existem certamente ouvintes que ficarão privados da audição da RDPi, já que apenas podem recorrer à Onda Curta. Uma situação particular e bem conhecida na Europa será a dos camionistas portugueses que viajam pela Europa em camiões onde não há antena parabólica... e onde poderão não ter acesso à Internet em todos os países e regiões por onde desempenham a sua profissão. Consequentemente, poderão não conseguir acompanhar a actualidade portuguesa enquanto viajam pelas estradas. Aliás, a própria RDPi tem programação vocacionada para este segmento de ouvintes que deixará de fazer sentido a partir do momento em que deixam de poder ouvir a RDPi nos seus camiões, recorrendo a receptores de Onda Curta.

Contrariamente à Internet e à recepção via satélite, para se ouvir emissões em Onda Curta basta ter um pequeno receptor ligado a uma antena, que até poderá ser um simples fio eléctrico: as características de emissão em HF permitem a recepção de sinais mesmo em locais onde a recepção satélite, por força de constrangimentos legais e/ou técnicos não é opção e onde os ouvintes não têm Internet. Volto a insistir: a inexistência de alternativas por via hertziana que assegurem a recepção da RDPi vai privar alguns ouvintes de acompanharem a emissora internacional que divulga a  Língua de Camões pelos quatro cantos do Mundo!

Que terá a RDP a dizer a esses ouvintes?!

Redução de custos? Sim, com ou sem FMI. Supressão de gastos supérfluos? Sim! Mas que não comprometa o acesso ao serviço internacional de rádio disponibilizado à vasta comunidade de emigrantes portugueses e lusófonos em geral espalhados pelo Mundo! Com a 6.ª/7ª  língua com mais falantes nativos do mundo, Portugal pode e deve marcar a sua posição na radiodifusão internacional, promovendo e defendendo a língua honrada por nomes como Luís de Camões e Fernando Pessoa!


 **Este texto não foi escrito ao abrigo do "Acordo" Ortográfico**

sábado, 26 de março de 2011

RDPi - Rádio Portugal - Emissões em Onda Curta/ HF - período A11 (a partir do dia 27 de Março) :


UTC - QRG (kHz) - banda (m) - kW - Azimute (º)


Segunda a sexta-feira:



EUROPA

05.00 – 08.00 - 7 240 kHz - 41m - 300 kW - 45º
06.45 – 08.00 - 11 850 kHz - 25m - 250 kW - 55º - via Sines
08.00 – 12.00 - 12 020 kHz- 25m - 300 kW- 45º
16.00 – 18.54 - 11 905 kHz - 25m - 300 kW - 45º
19.00 – 23.00* - 9 820 kHz - 31m - 300 kW – 45º


ÁFRICA (S. Tomé e Príncipe/ Angola / Moçambique)

05.00 – 07.00 - 12 060 kHz - 25m - 300 kW - 144º
07.00 – 10.00 - 15 160 kHz - 19m - 300 kW - 144º
10.00 – 12.00 - 15 180 kHz - 19m - 300 kW - 144º

AMÉRICA DO NORTE (EUA E CANADÁ)

19.00 – 20.00* - 15 560 kHz - 19m - 300 kW - 300º
20.00 – 23.00* - 13 755 kHz - 22m - 300 kW - 300º
23.00 – 02.00 - 9 715 kHz - 31m - 300 kW - 300º

VENEZUELA

13.00 – 15.54 - 17 575 kHz - 16m - 100 kW - 261,5º

BRASIL / CABO VERDE / GUINÉ BISSAU

13.00 – 19.00 - 21 655 kHz - 13m - 300 kW - 226º


BRASIL

23.00 – 02.00 - 11 940 kHz - 25m - 300 kW - 226º



Sábados e domingos:

EUROPA

07.00 – 14.00 - 12 020 kHz - 25m - 300 kW - 45º
08.30 – 10.00 - 11 995 kHz(DRM) - 25m - 90 kW - 45º - via Sines
14.00 – 19.00 - 11 905 kHz - 25m - 300 kW - 45º
19.00 – 20.00 - 9 820 kHz - 31m - 300 kW - 45º

20.00 – 23.00* - 9 820 kHz - 31m - 300 kW - 45º


AFRICA (S. Tomé e Príncipe/ Angola / Moçambique)

07.00 – 10.00 - 15 160 kHz - 19m - 300 kW - 144º
10.00 – 13.54 - 15 180 kHz - 19m - 300 kW - 144º


AMÉRICA DO NORTE (EUA E CANADÁ)

14.00 – 20.00 - 15 560 kHz - 19m - 300 kW - 300º


20.00 – 23.00* - 13 755 kHz - 22m - 300 kW - 300º


(*)- emissões extraordinárias

(DRM)- transmissão em modo digital DRM,  via Pro-Funk GmbH /DW (Sines, Portugal)